segunda-feira, 12 de abril de 2010

MALES E CURAS

APRESENTAÇÃO




Este livro tem a intenção de, simultaneamente, ensinar e entreter.
Trata-se de fatos reais, acontecidos durante a vida profissional do autor, descritos de maneira leve e acrescidos de circunstâncias que tornam o relato, em verdade um “case”, em uma história interessante.
O mais novo dos casos aconteceu há, pelo menos, uns doze anos atrás. Alguns aconteceram a mais de vinte anos.
Tivemos o cuidado de nunca especificar o local, usar nomes fictícios para as empresas, para as pessoas personagens das histórias e, no caso destes ensaios, o nome do autor também está mudado.
Não há como alguém “se ver” nestas histórias.
Nestes “cases” relatamos problemas que comumente afligem empresas, levando muitas delas a dissolução.
Boa parte são de casos de desonestidade de sócios e/ou empregados, desavenças entre os mesmos, descuidos ou acomodação por parte dos dirigentes, etc.
Mostramos, sem muitos detalhes para não atrapalhar a narrativa, como acontecem e também qual foi a solução dada a cada um deles e os resultados obtidos.
Temos a pretensão de estarmos fazendo algo, senão novo, pelo menos muito pouco visto, por exigir do autor, além da capacidade de expor por escrito suas idéias, conhecimento técnico de administração de empresas.

DESPREPARO
(ASSÉDIO)
Quando cheguei em frente à “Empresa” em que deveria prestar serviço pelas próximas quatro semanas, achei que deveria haver algum engano: Chamava-se Empresa Naval e Madeireira Gutierres Ltda.
Era um terreno cercado, mal cercado diga-se, com estacas e arames. Tinha uns cinquenta por cinquenta metros, quase todo tomado pelo mato. Ao fundo, um galpão coberto com telhas comuns, tinha seus seis ou sete metros de altura e abrigava algumas pilhas de madeira serrada. Ao lado uma construção de alvenaria, sem reboco e sem pintura, coberta com laje, com uma placa: “Escritório”.
Até o motorista do táxi surpreendeu-se:”Será que é aqui mesmo que o senhor quer vir? É bom perguntar antes de eu ir embora”disse ele.
Abri a pasta de análise prévia, feita pelo Analista de Métodos que havia acertado o trabalho e reli suas informações sobre o cliente: “as instalações são simples e despojadas”. Põe despojada nisso pensei comigo.
Dispensei o táxi e dirigi-me ao “Escritório”.
Fui recebido por um senhor aparentando cinqüenta e poucos anos, barba por fazer, cabelos mal penteados, vestido também “despojadamente”. Era o próprio senhor Gutierres, dono da “Empresa”.
No fundo da sala, em uma escrivaninha, uma jovem, muito bonita e bem vestida, contrastando com todo o resto do ambiente. Um cofre médio e um arquivo de aço compunham seu nicho. A mesa do senhor Gutierres era forrada de verde e tinha um tampo de vidro. Entre os dois uma profusão  de fotos, calendários, recortes e tabelas. Uma prateleira de madeira junto à parede e uma janela comum, com veneziana, completavam o cenário.
Apresentei-me e, em seguida, fui apresentado à jovem Dolores.
Pode me chamar de Lola, estou mais acostumada, disse-me abrindo um largo sorriso.
Fiquei encantado!
É minha filha, ela é que insistiu comigo para eu contratar vocês, agora não sei como vou pagar e só quero ver o que vocês vão fazer, complementou o “velho”.
Também quero saber como esta espelunca vai arranjar US$ 16.000,00 (dezesseis mil dólares) para pagar as cento e sessenta horas de Consultoria que contratou? Pensei com meus botões.
Intimamente também xinguei o “cara” que negociou o serviço. Como ele foi entrar naquele buraco?
À tarde, desse mesmo dia, Lola me deu as respostas. Ela, através de uma colega de faculdade, soube de um trabalho de consultoria feito pela empresa que eu estava ligado, na firma que essa colega trabalhava. Os resultados, mesmo antes de o trabalho terminar, eram muito bons, havia satisfação geral pelo mesmo. Pegou o telefone e pediu a presença de um vendedor, depois convenceu o pai a contratar os trabalhos. Quanto ao pagamento ela mostrou-me estratos de aplicações financeiras, cujos valores eram duas vezes superiores ao montante a ser investido, além deste último ser a prazo.
Meu pai tem pouca instrução, mas trabalha bem com dinheiro, aliás, bem demais, é um verdadeiro “mão de vaca”. Pelas suas roupas, pelo nosso carro dá para perceber isso, não dá? Perguntou-me.
Há muito venho insistindo para ele murar o terreno, fazer um escritório decente, se trajar melhor e comprar um carro menos velho, mas ele resiste, diz que vai atrair ladrões e provocar olho gordo, continuou.
Agora com esses prejuízos seguidos é que ele fica mesmo cheio de razão, completou.
Demorei quase duas semanas para levantar dados suficientes para uma análise de viabilidade econômica da Empresa, nesse ínterim fiquei sabendo como a firma nasceu, como permaneceu e, até cresceu no mercado.
O senhor Gutierres, espanhol de nascimento, foi trazido ainda criança para o Brasil. Seu pai, construtor de pequenas embarcações, passou o ofício ao filho. Junto veio o conhecimento das madeiras. A escola ficou em segundo plano, só o essencial. Em contrapartida a seu pouco conhecimento das letras, sua capacidade de fazer cálculos mentalmente era surpreendente. Ele riscava e cortava a madeira sem fazer qualquer cálculo escrito, máquina de calcular não usava nunca.
Desenhava e detalhava arcos, de mão livre, com uma rapidez e precisão que deixava engenheiros navais estupefatos. Comumente era chamado a palpitar sobre projetos de construção, reformas e consertos de embarcações de médio e grande porte no estaleiro existente na cidade. Encaixes e amarrações, em madeira, era com ele mesmo.
A madeireira surgiu quase por acaso: uma vez, cerca de doze anos antes, parou um caminhão carregado de madeiras a porta de sua oficina, onde construía barcos de até dez metros, artesanalmente. Era uma sexta-feira e passava das seis da tarde. O motorista tinha vindo entregar as mercadorias, procedentes de outro Estado, em uma madeireira local e lá chegando não encontrou ninguém para receber e tampouco pagar a remessa. Tinha que regressar logo e propôs ao senhor Gutierres ficar com as madeiras. Negócio fechado! O preço era menos da metade que ele costumava pagar e o produto adequado ao seu uso. Como o empate de capital era grande para ele na época, na segunda feira saiu à praça para vender o que julgava excedente. O preço? O mesmo que costumava pagar! Vendeu tudo em apenas uma manhã. Consultando a nota fiscal que, aliás, não lhe servia porque era endereçada a outro, ligou para o emitente e encomendou duas cargas, espaçadas uma da outra em quinze dias. Aí nasceu a madeireira. A “industria” naval continuou como “hobby” e como segurança.
De uns meses para cá, me explicou Lola, os saldos bancários vêm diminuindo (esse era o termômetro dos resultados) demonstrando prejuízo. Em conseqüência, meu pai já fala em paralisar a madeireira para não perder tudo que ganhou até hoje.
Os preços de compra e venda continuam da mesma forma, quando um aumenta, aumentamos o outro, só aumentamos o prazo de pagamento em trinta dias, mas meu pai aumentou o preço em cinco por cento, para compensar.
Não havia nenhum, absolutamente nenhum, tipo de controle. Nem caixa, nem estoque, nem bancos, nada, tudo era na memória.
Perguntei à Lola:
O que você fica fazendo aqui ?
Fico lendo, estudando, quando chega algum freguês de varejo seu Chico ou meu pai atende, eu recebo e passo o troco. Faço algumas coisinhas, às vezes. O atacado e os quatro empregados é tudo com meu pai, concluiu.
Logo no segundo dia de trabalho implantei um controle de caixa incluindo bancos, uma previsão com acompanhamento das entradas  e saídas de dinheiro e fichas para o controle de estoque. Uma semana depois do início tentei implantar também uma ficha técnico/financeira para a construção de barcos. O senhor Gutierres resistiu.
A Lola, sempre a meu lado, animadíssima, pois estava no final do segundo ano* de Administração de Empresas e nada daquilo ela tinha visto na faculdade até então.
Como já contei, com duas semanas acompanhando o Fluxo de Caixa, retificamos, eu e a Lola, a previsão financeira do mês, dividimos os custos e despesas em fixos e variáveis e, então, pude projetar o Ponto de Equilíbrio. Aí, apareceu o porque dos problemas. O Ponto de Equilíbrio situava-se em  cinqüenta mil dólares (na época da inflação descontrolada todos os cálculos tinham que ser feitos em dólares) a “Gutierres” vinha faturando abaixo de quarenta mil.
Com a política de diminuir seu movimento o senhor Gutierres estava condenando a empresa ao fechamento, em vez de adiar seu fim. Lola entendeu tudo perfeitamente, seu pai não entendeu nada.
Resumindo: Quer dizer que eu tenho que vender mais de cinqüenta mil dólares por mês, não é? Pois deixa comigo! Disse ao final de mais de uma hora de explicações e demonstrações nossas a ele.
Mas tem que ser dentro do cálculo de preços que estamos praticando hoje, nem um dia a mais de prazo, nem um por cento a mais de desconto, ressaltou a sua filha, demonstrando que entendera tudo perfeitamente.
Isso se deu em uma segunda-feira pela manhã. Na tarde de quarta-feira, lá estavam sobre a escrivaninha da Lola, cerca de cinqüenta e cinco mil dólares em pedidos de madeira, para serem entregues entre quinze e trinta dias das datas dos pedidos. Pouco mais tinha para ser feito: Garantir a continuidade dos negócios era o objetivo.
O pouco a fazer, somado ao fato de ficarmos sozinhos o dia inteiro, conversando muito, foi aumentando a simpatia mútua e a amizade entre eu e a Lola.
Estávamos em uma quinta-feira,  véspera do término do contrato, quando o senhor Gutierres entrou na sala acompanhado de outra pessoa e nos apresentou:
Este aqui é o Tarciso, é pedreiro, mestre de obras. Lola trate com ele tudo que você que você quer que seja feito aqui: muros, banheiro, ar condicionado, azulejo, pintura, o que for. Vamos fazer como você vem pedindo, te ajudo se você pedir, o preço trato eu.
Reparamos, então, que ele estava bem vestido, barbeado, penteado e até com sapatos engraxados.
Papai! Que houve? Como o senhor está bacana! Foi falando Lola, saindo de sua escrivaninha e indo em direção ao pai.
Daqui para frente quem manda é você, eu vou vender e fazer barcos, que eu sei, o resto é contigo que está mais preparada que eu e, afinal, é para você que tudo isso vai ficar um dia”, disse o pai.
 Com lágrimas vertendo dos olhos finalizou:
O carro novo está aí fora, espero que você goste, já pode ir para a faculdade com ele, eu, desculpe, vou continuar com o velho porque gosto dele.
O choro foi geral, até o Tarciso, que não tinha nada com nada, verteu lágrimas quando pai e filha se abraçaram.
Passada a comoção Lola explicou ao mestre de obras o que pretendia, pediu um orçamento prévio e combinou o início das reformas para o começo da semana seguinte. Como já eram quase seis horas da tarde, estávamos nos preparando para a saída ela, passando a mão em minha cintura, sorrindo perguntou:
O que você fez com meu pai, só pode ser obra sua, me conte.
Amanhã, respondi, amanhã lhe falo.
Não, retrucou ela: Quero saber hoje!
Não posso, não tenho tempo, você sabe que hoje tenho aquela palestra sobre custos, lá na tua faculdade, tenho de me preparar, amanhã temos tempo eu lhe conto tudo, repliquei.
Não! Quero saber hoje! Disse fingindo beicinho:
Depois da palestra vamos tomar um chope e você me conta, ta?
Acabei concordando, pois vi que não adiantava negar.
No trajeto para o hotel o motorista do táxi, aquele mesmo do primeiro dia, pois acertei com ele ir me levar e buscar todos os dias, perguntou:
Tá pensativo hoje doutor? Já está com saudades? Seu trabalho termina amanhã, não é?
Estava mesmo “encucado”. A Lola, desde o primeiro contato, só me tratava por senhor, até de doutor me chamou, por que hoje me tratou por você?
Finda a palestra, muito concorrida, aliás, e merecedora de prolongados aplausos, quando já estava me dirigindo para a saída, acompanhado por um grupo de professores e alunos, vi Lola me esperando ao pé da escada: vestido largo, vermelho, de alcinhas, cabelos soltos, olhos negros, sorrindo. Linda!
Vamos estrear o carro novo? Agora não tem desculpa nem escapatória! Disse ela pegando-me pelo braço.
Senti o rosto arder, ser “raptado” assim a meio de quase uma dezena de pessoas, ainda mais por uma figura tão vistosa, era para ficar acanhado mesmo. E eles não sabiam que, no caso, era como se fosse uma colega de trabalho. Pensar isso me deixou ainda mais encabulado.
O bar onde fomos era bem próximo da faculdade. Lá chegando a Lola pendurou-se no meu braço, como que alardeando sua posse sobre minha pessoa, manobrei para que ficássemos em uma mesa bem a vista. Minha manobra deu resultado, mal sentamos três colegas dela se achegaram e, sem cerimônia, passaram a dividir a mesa conosco e mais, a me encher de perguntas sobre o assunto da palestra.
A Lola, também sem cerimônia, ficou séria e falou para as três:
Vocês vão nos dar licença, mas temos um assunto de trabalho para discutir e vamos para outra mesa. Dito isto, levantou-se, pegou suas cousas que estavam numa cadeira ao lado e comandou-me:
Vamos!
Meio sem jeito pedi licença e obedeci. Agora, sob comando dela, fomos para uma mesa retirada, junto a parede. Fez-me sentar de costas para o salão, ficando ela de frente. Os garçons eram daqueles que fazem a reposição automática: O copo ficou vazio, lá vem outro cheio, mesmo sem a gente pedir.
Vamos lá, me diga o que houve com meu pai. Tem sua mão nisso com certeza, provocou.
Comecei a contar:
Antes de ontem, terça-feira, fui almoçar com seu pai. Ficamos no restaurante umas duas horas e, depois, ele me levou para ver o motel de vocês, vi só pelo lado de fora, não quis conhecê-lo por dentro, achei constrangedor entrar com um homem em um motel.
Não pude deixar de notar o sorriso e o olhar de gozação dela.
Continuei:
Ele falou-me da preocupação dele com o futuro: “Fazer barcos e vender madeira é trabalho para homem, não dá para mulher fazer”, disse-me.
Perguntei se ele lia jornais e revistas, respondeu-me que não. E televisão, noticiários? Continuei.
Isso eu vejo, respondeu.
O senhor sabe que a cada dia que passa as mulheres estão se tornando maioria nas universidades e nas fábricas? Nos escritórios elas já são quase setenta por cento, prossegui.
É, mas os cargos de mando ainda estão com os homens, contrapôs.
Ainda! O senhor disse-o bem, mas isso começa a mudar. Se, em vez de uma filha, o senhor tivesse um filho, o que ele estaria fazendo na firma?
Estava na oficina, com certeza, respondeu.
E a escola? Estaria fazendo faculdade? Seus negócios crescendo, a administração deles ficando cada vez mais difícil, como o senhor faria?
Aí ele confessou-me: “Vinha, propositadamente, diminuindo o volume dos negócios para evitar complicações e continuar tendo capacidade de administrá-los, só não contava que a partir de determinado ponto começa a dar prejuízo”.
Achava ele, também, que não adiantava incrementá-los porque logo viria um genro, um possível aproveitador, e todo seu esforço iria ficar sem motivo.
Convenci-o a deixar de vê-la como uma menininha frágil e inocente e passasse a tratá-la como a sucessora de seus negócios, que ela fatalmente será. Que hoje em dia os casamentos são todos com separação total de bens ou, pelo menos, com separação parcial, isso é, se você viesse a casar.
Parece que ele aceitou meus argumentos.
Eu já estava no quinto chope e a Lola tinha bebido, pelo menos, três. Após eu terminar meu relato, ela inclinou-se sobre a mesa, os seios ficaram quase inteiros a mostra e, olhando-me nos olhos, desafiou-me maliciosamente :
Eu também ainda não conheço o motel por dentro, que tal se a gente fosse conhecê-lo agora?
Poucas vezes na vida fiquei tão confuso, tão sem jeito, tão sem ação.
Não sei como minha voz saiu, nem onde fui buscar os argumentos. Só sei que recusei dizendo que já era tarde, tínhamos que estar cedo no trabalho, que seus pais iriam se preocupar por ela chegar mais tarde que o costume e que eu gostaria de ficar com ela, não trinta minutos apenas, mas três ou quatro horas para nos usufruirmos de fato.
Antes de nos despedirmos, à porta do hotel onde estava hospedado, ainda pedi a ela que no dia seguinte fosse de calças jeans, larga, e blusa sem decote, pois iria para a oficina começar a aprender como se faz um barco.
Era sexta-feira, último dia, dos vinte contratados, tudo estava feito e funcionando, algumas cousas ainda experimentalmente, exceto a Ficha Técnica.
O senhor Gutierres vinha resistindo a sua implantação sob o argumento que, com ela, qualquer um seria capaz de construir um barco e aí seu negócio podia “naufragar”. Cedeu sob o argumento que sim, qualquer um, ou qualquer uma, seria capaz de construir barcos, inclusive sua filha, isso garantiria a continuação de sua arte. Concordou também quando lembrei que elas, as Fichas Técnicas, poderiam ficar guardadas no cofre.
A Lola chegou já passavam das dez horas. Ela não tinha calça jeans larga, nem sapato baixo fechado, teve de ir comprá-los.
Desta vez foi a vez do pai surpreender-se e admirar-se, poucas vezes tinha visto sua linda e vaidosa filhinha sem maquiagem e vestida tão simples. Assim não tinha problema de vê-la na oficina.
Trabalho encerrado, segunda-feira seguinte embarcando para Rio Branco, no Acre, parecia que tudo se tornaria passado.
Seis meses passados, sou chamado à Diretoria, algo especial.
 A Gutierres vinha recusando receber outra pessoa para fazer o acompanhamento do projeto, exigia a mim.
Era contra as normas que o acompanhamento fosse feito pelo mesmo executante do projeto,  a avaliação interna do Consultor perdia sua razão de ser mas...  no caso, havia um fato novo: O senhor Gutierres afirmava ter duas firmas, de amigos seus, que queriam contratar a Consultoria e que ele só daria as indicações se eu retornasse a sua empresa para fazer o acompanhamento e se, em uma das suas indicações, fosse eu o encarregado da incumbência. Eu podia recusar, contrariava as normas como disse, só que estávamos em um período de “vacas magras”, estavam sendo fechados poucos contratos, dependia de mim.
Aceitei, devido às circunstâncias, mas isso será tema de outro relato.


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